Cinquenta anos depois

Antes da escola, havia uma sala.

Antes da APAE, havia três alunos.

Edgar Castrillon, Jones da Silva e Marilina já frequentavam a escola, mas apresentavam dificuldades de aprendizagem.

Alguém poderia ter olhado para os três e enxergado apenas o problema.

Mas alguém resolveu procurar uma possibilidade.

Talvez seja por aí que eu queira olhar para os cinquenta anos da APAE de Cáceres, completados no dia 31 de agosto de 2026.

O que é necessário para que o cuidado dure cinquenta anos?

Aquela primeira sala tornou-se escola. Nesse período, sob a presidência do professor Natalino Ferreira Mendes, os freis e o Rotary foram parceiros fundamentais para que a iniciativa pudesse avançar.

Depois, a escola se transformou na APAE de Cáceres.

E uma história que começou com três alunos precisou de muitas mãos para continuar.

Mãos que ensinaram.

Que cuidaram.

Que organizaram.

Que buscaram recursos.

Que fizeram contas.

Que abriram portas.

Algumas permaneceram por muitos anos.

Outras ofereceram o tempo que puderam.

As pessoas foram mudando.

Os alunos continuaram chegando.

Algumas dessas histórias permitem medir o tamanho do tempo.

Jone Aparecido de Paula Costa ingressou em 1984 e permanece na instituição. Antônio Julinaldo Soares Cavalcante e Ademilson de Campos Leite chegaram em 1993 e também permanecem.

Quarenta e dois anos.

Trinta e três anos.

Numa ficha, são datas.

Numa vida, significam outra coisa.

Há também trajetórias que seguiram para outros espaços. Hemerson Henrique Leite de Souza ingressou na APAE em 2015 e, em agosto de 2020, iniciou sua trajetória profissional no Supermercado Juba.

São algumas histórias entre muitas.

Assim como são algumas mãos entre tantas outras que passaram por ali.

Profissionais.

Famílias.

Voluntários.

Parceiros.

Doadores.

Pessoas que ofereceram trabalho, conhecimento, recursos ou algumas horas de seu tempo.

Nem todas fizeram a mesma coisa.

Nem todas estiveram ali ao mesmo tempo.

Mas o cuidado precisou de todas elas.

Cinquenta anos não significam ausência de dificuldades.

Significam que, apesar delas, alguém continuou cuidando.

No dia 31 de agosto, na comemoração dos cinquenta anos, estavam reunidos alunos, familiares, alguns dos fundadores, colaboradores e instituições parceiras.

Olhei para aquela celebração e pensei novamente na primeira sala.

Nos três alunos.

Em quem abriu aquela primeira porta.

E em todas as pessoas que, ao longo de meio século, fizeram alguma coisa para que outros alunos continuassem chegando.

Talvez cuidar também seja isso.

Fazer a nossa parte durante o tempo que nos cabe.

E encontrar outras mãos dispostas a continuar.

Porque até uma instituição criada para cuidar precisa ser cuidada.

Cinquenta anos depois, o cuidado continua passando de mão em mão.

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