Ela já foi muitas.
A que não saía.
A que não pedia.
A que acreditava
que tudo dependia das suas mãos.
Depois,
houve a que cansou em silêncio.
A que esperou demais.
A que quase desapareceu
sem perceber.
E agora,
há esta —
que ainda cuida,
mas já não se prende.
Deixa o filho com outras mãos
e, mesmo com o medo,
segue.
Estuda.
Abre espaço dentro de si.
Constrói caminhos que ainda não sabe nomear.
Não vê tudo claro.
Mas já não está parada.
E, a cada passo,
algo pequeno acontece —
uma ideia que se abre,
um instante leve,
um sinal discreto
de que a vida
não ficou para trás.
Não é um arco-íris.
Ainda não.
Mas há cor.
E isso, por agora,
é suficiente.


Não acredito muito na clareza absoluta sobre nada, mas a possibilidade da existência da cor já nos salva…. mais um belíssimo texto. Parabéns.