Cicera A Feitosa

A lua cheia viu. A árvore viu.

A lua cheiailuminava a rua. A árvore,quieta,assistia. Algumas famíliasmontaram altares.Panos,velas,imagens cuidadas. Havia reza,canto,passos lentos. Crianças corriame eram chamadas de volta. A rua viva.—Ele caminhava ao meu lado.No peito,um cordão.—Na décima segunda estação,a multidão se aproximava. Ele também.—Ela recuou.—Foi leve. Mas foi nítido.—Ninguém disse nada.—alguém desviou o olharcomo se não o conhecesse—a procissão seguiu—a lua viua …

A lua cheia viu. A árvore viu. Leia mais »

Onde a vida vibra

Ela já foi muitas.A que não saía.A que não pedia.A que acreditavaque tudo dependia das suas mãos. Depois,houve a que cansou em silêncio.A que esperou demais.A que quase desapareceusem perceber. E agora,há esta —que ainda cuida,mas já não se prende. Deixa o filho com outras mãose, mesmo com o medo,segue. Estuda.Abre espaço dentro de si.Constrói …

Onde a vida vibra Leia mais »

Nem tudo precisava das suas mãos

No início,é só o gesto.o olhar que vigia.Nada de poesia.Só o fazer.Só o dia que começaantes de terminar.—Depois,vem o cansaço.Um cansaço que não grita,mas se espalha.Fica nos ombros,na paciência que encurta,na vontade de, por um instante,não ser necessário.E ainda assim,você fica.—Há dias em que o cuidadoé quase invisível.Ninguém vê.Mas então,algo acontecia:um olhar que pousava mais …

Nem tudo precisava das suas mãos Leia mais »

A delicada arte de ver o outro

Talvez ainda estejamos a aprendero que significa ser humano. Vivemos um tempo curioso. A ciência realiza prodígios.Transplantamos córnease devolvemos a alguéma luz da paisagem. Transplantamos coraçõese oferecemos mais alguns anosà vida. Construímos olhos de metalque vigiam o planeta inteiro. As máquinas atravessam o espaçocom precisãode estrelas domesticadas. Aprendemos a medir o universoem números impossíveis. Mas …

A delicada arte de ver o outro Leia mais »