A lua cheia
iluminava a rua.
A árvore,
quieta,
assistia.
Algumas famílias
montaram altares.
Panos,
velas,
imagens cuidadas.
Havia reza,
canto,
passos lentos.
Crianças corriam
e eram chamadas de volta.
A rua viva.
—
Ele caminhava ao meu lado.
No peito,
um cordão.
—
Na décima segunda estação,
a multidão se aproximava.
Ele também.
—
Ela recuou.
—
Foi leve.
Mas foi nítido.
—
Ninguém disse nada.
—
alguém desviou o olhar
como se não o conhecesse
—
a procissão seguiu
—
a lua viu
a árvore viu
nós vimos
—
o corpo dele
não entendeu
—
eu também fiquei
sem saber
se chamava
ou se seguia

