Uma carta para mulheres que aprendem a envelhecer vivendo
Minhas queridas,
Chegamos a mais um janeiro.
E com ele, o silêncio que só quem viveu muito aprende a escutar.
Talvez este ano não comece com promessas,
mas com perguntas quietas:
“E se eu já não puder fazer tudo sozinha?”
“E se depender… e ninguém vier?”
Essas perguntas doem — mas são legítimas.
E merecem mais que frases prontas: merecem cuidado.
Envelhecer não é perder. É mudar de eixo.
Sair da lógica da força e entrar na sabedoria.
Teu olhar, tua história — ainda curam.
Mesmo que ninguém diga.
Se o corpo pedir mais calma,
que isso seja visto como um novo jeito de ensinar:
que depender também é sagrado.
Se os filhos não puderem,
que venham os afetos verdadeiros —
laços de alma, não só de sangue.
Que 2026 traga não juventude —
mas dignidade.
E liberdade para descobrir quem ainda podes ser.
Ainda há caminho.
Mais lento, talvez.
Mas com beleza, vínculos, poesia.
Feliz ano novo,
com tudo o que importa.
E nada do que já não cabe.


Taí gostei! Verdade.
E quando for necessário e mais ninguém aparecer, que nossos amigos estejam ao alcance de um chamado e que possam, eles, por sua vez, estarem conosco…