{"id":517,"date":"2023-04-22T05:33:00","date_gmt":"2023-04-22T09:33:00","guid":{"rendered":"https:\/\/quemcuidadocuidador.com.br\/?p=517"},"modified":"2023-04-22T05:33:02","modified_gmt":"2023-04-22T09:33:02","slug":"cuidar-e-acolher-fragilidades-e-oferecer-colo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/quemcuidadocuidador.com.br\/index.php\/2023\/04\/22\/cuidar-e-acolher-fragilidades-e-oferecer-colo\/","title":{"rendered":"Cuidar \u00e9 acolher fragilidades e oferecer colo"},"content":{"rendered":"\n<p>Quando cuidamos de pessoas idosas talvez uma das maiores dificuldades seja o ato de reaprender a conviver com um adulto que a vida inteira foi sua refer\u00eancia. A pessoa que voc\u00ea procurava quando estava inseguro.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Que voc\u00ea buscava quando precisava tomar uma decis\u00e3o dif\u00edcil, de apoio moral e financeiro, de colo. Mesmo que voc\u00ea n\u00e3o tivesse coragem de pedir um colo. S\u00f3 de estar perto dela j\u00e1 era reconfortante. Pois parecia que ela sempre adivinhava suas preocupa\u00e7\u00f5es, mesmo sem voc\u00ea express\u00e1-las e, sempre lhe dizia palavras reconfortantes e amorosas que clareava suas ideias.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou numa situa\u00e7\u00e3o inversa, voc\u00eas tinham tantas ideias contradit\u00f3rias que os di\u00e1logos eram acalorados, mas mesmo assim isso facilitava a sua tomada de decis\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Verdade \u00e9 que, na grande maioria das vezes nossos pais s\u00e3o nosso porto seguro. E quando somos jovens n\u00e3o conseguimos imagin\u00e1-los como seres fr\u00e1geis e vulner\u00e1veis. Portanto, quando a velhice chega e se ela for generosa e chegar aos pouquinhos n\u00f3s vamos nos adaptando aos poucos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, \u00e9 poss\u00edvel que seu pai ou sua m\u00e3e torne-se um ser dependente para tudo por motivos de sa\u00fade. E quando isso acontece \u00e9 como se tiv\u00e9ssemos levado uma rasteira da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Precisamos mudar nossos projetos de vida. Al\u00e9m disso, da noite para o dia, as vezes precisamos ser o esteio da fam\u00edlia. Tomar as decis\u00f5es que antes seriam tomadas por nossos pais, \u00e9 uma tarefa bem complicada. Administrar uma casa tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. E muitas vezes essas mudan\u00e7as vem acompanhadas da diminui\u00e7\u00e3o dos recursos financeiros. Pois a pessoa que ficou doente era provedora.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o nos deparamos com aumento das despesas, em virtude de m\u00e9dicos, medicamentos e fisioterapias e falta de recursos financeiros. Nos primeiros dias, dependendo do abalo emocional que sofrer toda a fam\u00edlia a maioria estar\u00e1 por perto.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas \u00e0 medida que se passam os dias, vem as semanas, depois meses e anos seguidos. A grande maioria volta para a rotina normal de suas vidas.<\/p>\n\n\n\n<p>E, aos poucos a velhice se instaura e a cada dia o quadro de depend\u00eancia torna-se maior. Mas quem n\u00e3o acompanha esse processo, desconhece o grau de cansa\u00e7o e frustra\u00e7\u00e3o que o cuidado cotidiano aos poucos vai gerando no cuidador.<\/p>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea tem um adulto que se comporta como uma crian\u00e7a, por\u00e9m em segundos de vislumbres de consci\u00eancia \u00e9 adulto.<\/p>\n\n\n\n<p>Os momentos de agressividade s\u00e3o bem dif\u00edceis, pois de repente seu pai ou sua m\u00e3e que quando voc\u00ea era crian\u00e7a nunca tinha lhe dado um tapa, pode hoje na velhice te deixar com hematomas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 dif\u00edcil contarmos as miudezas do cotidiano. Por mais que a pessoa j\u00e1 tenha perdido o controle do esf\u00edncter \u00e9 bem delicado o dia que voc\u00ea tenta sent\u00e1-la no vaso e ela j\u00e1 n\u00e3o sabe mais para que.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse dia, a gente lembra de como foi o processo de ensinar nossos filhos a usarem o banheiro. Por\u00e9m com nossos pais \u00e9 um processo inverso.&nbsp; Eles continuam adultos, e agora crian\u00e7as. Ent\u00e3o percebemos que eles precisam de colo e abra\u00e7os reconfortantes igual aos que damos em nossos filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Sei que eles nos xingam, nos mandam embora e s\u00e3o agressivos. Muitas vezes tamb\u00e9m estamos no nosso limite e tamb\u00e9m desejamos ir embora.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesses momentos, voc\u00ea tem a oportunidade de oferecer a eles aquele abra\u00e7o, que eles n\u00e3o te ofereceram quando voc\u00ea era crian\u00e7a, adolescente ou jovem. Mas lembre-se eles tamb\u00e9m n\u00e3o receberam dos pais deles.<\/p>\n\n\n\n<p>Fa\u00e7a a diferen\u00e7a hoje ao acolher e abra\u00e7ar seu pai, sua m\u00e3e, ou a pessoa pela qual voc\u00ea se tornou respons\u00e1vel. Respeitando suas fragilidades e dores ao reconfort\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n<p>Pois talvez a face mais cruel da velhice, seja o momento em que j\u00e1 n\u00e3o conseguimos mais cuidar do nosso corpo.<\/p>\n\n\n\n<p>E se voc\u00ea n\u00e3o morrer jovem, poder\u00e1 passar por ela tamb\u00e9m.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando cuidamos de pessoas idosas talvez uma das maiores dificuldades seja o ato de reaprender a conviver com um adulto que a vida inteira foi sua refer\u00eancia. A pessoa que voc\u00ea procurava quando estava inseguro. &nbsp;Que voc\u00ea buscava quando precisava tomar uma decis\u00e3o dif\u00edcil, de apoio moral e financeiro, de colo. 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