{"id":205,"date":"2022-01-29T07:09:35","date_gmt":"2022-01-29T11:09:35","guid":{"rendered":"https:\/\/quemcuidadocuidador.com.br\/?p=205"},"modified":"2022-01-29T07:09:36","modified_gmt":"2022-01-29T11:09:36","slug":"quando-nos-tornamos-cuidadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/quemcuidadocuidador.com.br\/index.php\/2022\/01\/29\/quando-nos-tornamos-cuidadores\/","title":{"rendered":"QUANDO NOS TORNAMOS CUIDADORES?"},"content":{"rendered":"\n<p>N\u00e3o nos tornamos cuidadores, todos somos cuidadores.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o tive filhos e apenas experimentei cuidar de mim.<\/p>\n\n\n\n<p>Aprendi tarde o que era realmente ser cuidador quando o meu pai come\u00e7ou a ter todos os sintomas de Alzheimer e a minha m\u00e3e tinha, fazia tempo, dificuldades motoras e respirat\u00f3rias. At\u00e9 ali, o meu apoio era \u00e0 dist\u00e2ncia pois vivi muitos anos fora de Portugal. Quando o meu pai come\u00e7ou a precisar de cadeira de rodas comecei a perceber que tinha de dar mais aten\u00e7\u00e3o e vim para Portugal. Foi a altura da reuni\u00e3o com os meus irm\u00e3os pois havia necessidade de distribuir tarefas inerentes \u00e0s idas ao m\u00e9dico, ao hospital etc. Sendo 3 foi uma distribui\u00e7\u00e3o confort\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>As necessidades de algu\u00e9m que andando numa cadeira de rodas e come\u00e7ava a n\u00e3o conseguir fazer algumas atividades b\u00e1sicas, dentro de uma casa n\u00e3o preparada, empurraram-me para a procura de apoios institucionais. Dei gra\u00e7as a Deus pela exist\u00eancia dos servi\u00e7os de apoio domicili\u00e1rio, dos Centros Paroquiais da zona de resid\u00eancia e da SSP- Seguran\u00e7a Social Portuguesa com pre\u00e7os calculados em fun\u00e7\u00e3o do valor das pens\u00f5es de velhice e que me serviram de grande ajuda at\u00e9 ao falecimento do meu pai.<\/p>\n\n\n\n<p>Percebi que um cuidador cuida mesmo \u00e0 dist\u00e2ncia pois gerir o funcionamento dos servi\u00e7os de apoio numa casa com a alimenta\u00e7\u00e3o, higiene pr\u00f3pria e da casa, tratamento das roupas pr\u00f3prias e de casa n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil e quem se prop\u00f5e a faz\u00ea-lo tem de prescindir de 60% da sua vida, distribu\u00eddos pelas 24 horas do dia.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Com o falecimento do meu pai, assumi a meu cargo cuidar da minha m\u00e3e pois mesmo se houvesse a capacidade financeira para a manter na casa de fam\u00edlia com todos os apoios necess\u00e1rios ao conforto da sua vida, eu nunca aceitaria que ela ficasse sozinha ou, em \u00faltimo caso, fosse para uma Institui\u00e7\u00e3o S\u00e9nior. Mudar as minhas rotinas e preparar a casa para acomodar parte da dela de modo a manter as suas refer\u00eancias afetivas, foi obra para 3 meses.<\/p>\n\n\n\n<p>Percebi que quem escolhe ser cuidador, de pai e m\u00e3e, tem de abdicar de quase toda a sua vida pessoal e profissional com ou sem rendimentos que suportem essa escolha.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao ter quase deixado de trabalhar e sem apoios monet\u00e1rios que sustentassem o facto de eu trabalhar por conta pr\u00f3pria, n\u00e3o termos um rendimento que permitisse viver desafogadamente e os meus irm\u00e3os terem de sustentar as suas fam\u00edlias vivendo dos seus empregos, foi altamente penoso para mim. Tamb\u00e9m, quando um membro da fam\u00edlia assume o cuidar do pai ou m\u00e3e a tend\u00eancia \u00e9 para os restantes ficarem descansados, esquecendo por vezes que quem cuida precisa ser cuidado. Tem direito a tempo seu para repor as for\u00e7as e se equilibrar emocionalmente.<\/p>\n\n\n\n<p>Foram 10 anos em que a minha vida e o meu trabalho ficaram em suspenso porque quem cuida de quem depende de n\u00f3s, tem de o fazer 24 sobre 24 horas e \u00e0 medida que o tempo vai passando e a depend\u00eancia f\u00edsica e emocional aumenta mais o tempo n\u00e3o \u00e9 nosso, mas de quem cuidamos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Percebi que cuidar \u00e9 algo mais do que tratar do corpo \u00e9, tamb\u00e9m e muito mais, cuidar da emo\u00e7\u00e3o\u2026 do Amor&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sem amor n\u00e3o se cuida, mas sem dinheiro e sem o suporte dos irm\u00e3os, apesar de se amar, n\u00e3o se pode cuidar.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Agora, j\u00e1 partiram os dois e sei que lhes retribui o amor que me deram\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Aprendi a cuidar com amor incondicional e percebi que cuidadores somos todos\u2026<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Em 2020 alguns deputados conseguiram que, ap\u00f3s demasiados anos de luta, fosse aprovado no Parlamento Portugu\u00eas um \u201csal\u00e1rio\u201d apoio estatal para o cuidador informal.<\/strong> Este reconhecimento, num pa\u00eds de grandes desigualdades sociais, veio ajudar muitas pessoas, proporcionando-lhes uma melhoria de vida na sua escolha de cuidadores informais&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Para mim e todos os que viveram esta experi\u00eancia desamparados, veio tarde\u2026 Mas, veio!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fernanda das Neves &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;www.artessencia.pt<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o nos tornamos cuidadores, todos somos cuidadores. 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