{"id":1104,"date":"2026-01-17T08:20:09","date_gmt":"2026-01-17T12:20:09","guid":{"rendered":"https:\/\/quemcuidadocuidador.com.br\/?p=1104"},"modified":"2026-01-17T08:20:10","modified_gmt":"2026-01-17T12:20:10","slug":"seu-mestre-e-os-cadernos-da-eternidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/quemcuidadocuidador.com.br\/index.php\/2026\/01\/17\/seu-mestre-e-os-cadernos-da-eternidade\/","title":{"rendered":"Seu Mestre e os Cadernos da Eternidade"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Cuidar nem sempre \u00e9 rem\u00e9dio, \u00e0s vezes \u00e9 presen\u00e7a, escuta, mem\u00f3ria.<\/em> Ontem, 16 de janeiro de 2026, fui tomar um ch\u00e1 com dona Nem\u00e9zia Profeta. O que seria uma conversa breve se estendeu at\u00e9 a noite, puxada pelas hist\u00f3rias do pai dela, nascido neste mesmo dia, em 1910 \u2014 um homem que foi cuidado at\u00e9 o fim, mas que tamb\u00e9m cuidava dos outros com aquilo que tinha: a palavra.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando a dor lhe tomava o corpo, ele n\u00e3o reclamava \u2014 cantava. Da rede onde o movimento j\u00e1 lhe era negado, a voz de Joaquim Marcelo Profeta da Cruz se erguia em louvores, como se cada nota fosse um fio que o ligava ao divino.<\/p>\n\n\n\n<p><br>&#8220;Seu Mestre&#8221;, como o povo o chamava, n\u00e3o usava a palavra apenas para governar \u2014 usava para curar, consolar e lembrar. Em vez de discursos, contava hist\u00f3rias. Em vez de monumentos, deixou cadernos.<\/p>\n\n\n\n<p><br>P\u00e1ginas onde escreveu, com m\u00e3os cansadas e alma viva, a hist\u00f3ria sentida de Vila Bela da Sant\u00edssima Trindade \u2014 n\u00e3o como nos arquivos, mas como se ouve entre os p\u00e1ssaros que cantam, no calor da terra, no cheiro da mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p><br>A cada neta, um gesto de amor: sacolas com bocaiuva colhidas nos pastos, onde os p\u00e9s crescem livres, longe do quintal. N\u00e3o era apenas fruta \u2014 era ritual. Um convite \u00e0 escuta. Porque depois do sabor vinha a hist\u00f3ria: dos tempos antigos, das festas do Divino, das dan\u00e7as que ele ajudou a preservar com o corpo e com a palavra.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Quando a dor apertava, ele cantava. Quando a lembran\u00e7a chamava, ele escrevia. E quando o sil\u00eancio se formava ao redor, ele o quebrava com hist\u00f3rias \u2014 longas, lentas, carregadas de alma e tempo.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Joaquim Marcelo Profeta da Cruz n\u00e3o foi apenas prefeito, juiz ou l\u00edder. Foi o cronista invis\u00edvel da cidade, aquele que soube que o que n\u00e3o \u00e9 escrito, se perde. Que o que n\u00e3o \u00e9 contado, desaparece. Que a hist\u00f3ria s\u00f3 vive se for oferecida com generosidade \u2014 como se oferece uma bocaiuva madura nas m\u00e3os de uma neta atenta.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Hoje, no dia do seu nascimento, n\u00e3o celebramos apenas o homem. Celebramos o contador de hist\u00f3rias que, mesmo doente, mesmo calado, nunca deixou de semear mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cuidar \u00e9 tamb\u00e9m guardar hist\u00f3rias.<\/strong> \u00c9 ouvir o que ainda pulsa em quem j\u00e1 se foi. \u00c9 transformar dor em canto, sil\u00eancio em legado, mem\u00f3ria em gesto. Seu Mestre foi cuidado \u2014 mas tamb\u00e9m foi cuidador. Com suas palavras, com seus cadernos, com sua escuta. E talvez seja esse o maior aprendizado: que h\u00e1 muitos modos de cuidar, e que a mem\u00f3ria \u00e9 um deles. No fundo, quem cuida da mem\u00f3ria tamb\u00e9m cuida de quem cuida.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E voc\u00ea, tem um \u201cSeu Mestre\u201d na sua vida?<\/strong><br>Algu\u00e9m que cuidou com hist\u00f3rias, cantos, sil\u00eancios ou simples presen\u00e7as? Se quiser partilhar, o espa\u00e7o aqui \u00e9 seu. \u00c0s vezes, tudo o que quem cuida precisa\u2026 \u00e9 ser ouvido.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cuidar nem sempre \u00e9 rem\u00e9dio, \u00e0s vezes \u00e9 presen\u00e7a, escuta, mem\u00f3ria. Ontem, 16 de janeiro de 2026, fui tomar um ch\u00e1 com dona Nem\u00e9zia Profeta. 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